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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Poesia: "Presságio", um soneto de Bio de Crisanto

bio_de_crisanto

PRESSÁGIO

No pé daquele outeiro fumarento
Onde uma ave horripilante ulula
Pressagiando um acontecimento,
Uma jovem “perdida” se estrangula.

Langues sanguíneos tingem o firmamento,
E um nevoeiro acinzentado ondula.
Por um lado do morro já cinzento
0 verde-oliva da ramagem azula.

Uma mulher pejada à fonte desce,
Subitamente o corpo reconhece
Cheia de dó a causa entrega ao bom Jesus.

E diz pedindo a Deus: Ah um aborto!
Se for pra ser sem sorte nasça morto
Este menino que vou dar à luz.


Bio de Crisanto

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Poesia: "Sertão Fenomenal", um poema de Gilmar Leite

Foto de Gilmar Leite.
Foto de Gilmar Leite

Sertão Fenomenal

Cai à tarde na curva do crepúsculo
Deita o sol sobre a cama da amplidão
Nuvens negras convidam a escuridão
E deixam o céu num estado minúsculo.
Um carão dar um grito no arbúsculo
Quando vê claridade no horizonte
Do reflexo do raio bem cortante
Sobre a nuvem que grávida se inclina,
Para abrir as goteiras da cortina
E verter uma chuva sobre o monte

Cada pássaro busca o seu abrigo
Entre as folhas da mata virginal
Só o feio tristonho bacurau
Não parece temer qualquer perigo.
O relâmpago joga o seu castigo
Sobre o tronco da velha aroeira
A faísca lhe corta a madeira
Assustando seu porte secular
Que resiste e não se deixar tombar
Se mostrando fantástica guerreira.

Toda a noite se cobre no aguaceiro
Desde o monte ao vale campesino
Desce a água buscando seu destino
Estrondando nos mil desfiladeiros.
Velhos troncos redondos e maneiros
São levados ao sabor da correnteza
Olham as aves da linda fortaleza
Grande inverno nas telas do Sertão
Dando estrondo e mostrando seu clarão
Enfeitando o nordeste de beleza.

De manhã bem depois da enxurrada
A natura se acorda bem contente
Fica grávida a plácida semente
Canta alegre no campo a passarada.
A lagoa transborda engravidada
Lindos tufos de água cristalina;
E o feliz alazão sacode a crina
Relinchando no campo orvalhado
Esperando o vaqueiro no roçado
Pra tanger todo gado pra campina.

A rolinha pequena eriça as penas
Derramando gotículas de orvalhos
Como lindos cristais caem dos galhos
Sobre as flores das plácidas verbenas.
Na floresta se escuta as cantilenas
Duma orquestra de pássaros cantantes;
As marrecas desfilam nas vazantes
Dando vôos numa linda procissão,
E as águas estrondam num grotão
Entre as rochas de lâminas cortantes.

Sobre os galhos frondosos da braúna
Onde o sol faz cortina de fulgores
Belos pássaros são líricos cantores
Sob o toque regente da graúna
Borboletas na flor da Ibituruna
Batem as asas de seda delicada,
A campina de cor bem enfeitada
Mostra as telas sutis da natureza
Desenhando a paisagem da beleza
Pelas mãos da manhã sofisticada.

As vazantes que ficam alagadas
São lugares de mágica existência
Onde as águas com lírica cadência
Mostra a dança das gotas orvalhadas.
As abelhas nas poças inundadas
Com galões levam pingos de orvalhos
Pra usarem durante os trabalhos
Nas colmeias fazendo o doce mel
Recolhido nas rosas do vergel
Ou nas flores dos plácidos carvalhos.

Sobre o ventre da terra brota a vida
Colorindo com tintas multicores
Nos jardins naturais mil beija-flores
Buscam o néctar da flor colorida
O sutil rouxinol sai da guarida
Orquestrando o seu canto matinal
As ovelhas despertam no curral
Cada qual demonstrando a cor da lã,
São belezas que surgem de manhã
Demonstrando o sertão fenomenal

Gilmar Leite

O meu registro em forma de versos, sobre os dias que passei no sertão do pajeú. 
Foto de perfil de Gilmar Leite
Fonte: Facebook do Autor/poeta

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Poesia: "Cada rima, em favor da natureza, Refletiu a grandeza de Cancão." um poema de Paulo Passos em homenagem a Cancão


Uma verve eclodiu da sua mente,
Descrevendo, através da poesia,
As paisagens sutis do dia-a-dia,
Que somente um poeta enxerga e sente.
A neblina caindo de repente,
O bulício da relva pelo chão;
O orvalho nas flores do sertão,
As espumas bailando em correnteza.
Cada rima, em favor da natureza,
Refletiu a grandeza de Cancão.

Defendia, com todo sentimento,
Cada vida presente na natura;
Suas rimas são como partitura,
Melodia que sai do pensamento.
Mata virgem, a lua, a brisa, o vento,
Eram as notas da sua inspiração;
No compasso da métrica da razão,
Seus poemas mostravam sutileza.
Cada rima, em favor da natureza,
Refletiu a grandeza de Cancão.

Sabiás, rouxinóis nos matagais,
As planícies com cores vislumbrantes,
Vaga-lumes piscando nos instantes,
Pelas noites, iluminando a paz.
Os orvalhos molhando os roseirais,
As estrelas brilhando n'amplidão;
O luar clareando a solidão,
De quem mais descreveu essa beleza.
Cada rima, em favor da natureza,
Refletiu a grandeza de Cancão.

Esse gênio inocente declamava
Com tamanha e sublime placidez!
Debruçado na própria sensatez,
Via as cores da mata que inspirava.
Com o pincel da poesia, ele pintava
Fauna e flora da nossa região.
pelos versos vibrando na emoção,
As estrofes brotavam com leveza.
Cada rima, em favor da natureza,
Refletiu a grandeza de Cancão.

Paulo Passos 

CANTIGAS E CANTOS

terça-feira, 18 de julho de 2017

Poesia: "Valdir Teles, 62 anos", Mariana Teles homenageia seu Pai com um belo poema

Foto de Mariana Teles.

VALDIR TELES, 62 ANOS

Quem ver o homem sisudo,
De cara séria e fechada
Não desconfia que TUDO
Que ele tem, nasceu do NADA
Viveu em terras alheias
Suportou secas e cheias
Sem se queixar pelos danos,
Mas hoje, forte e de pé
Venceu com a força da fé
E passou dos sessenta anos.

De uma infância difícil 
À um sucesso estupendo!
Cresceu igualmente um míssil
(desses que sobem correndo)
Veloz na força do verso,
Conquistou o universo
Entre os gregos e os troianos,
-Nunca pôde ser menino
Uma exceção do destino
Chegando aos sessenta anos.

Desbravou muitos caminhos
Ao longo da caminhada,
Passou construindo os ninhos
Com cada pedra jogada.
Perseguidor da justiça 
Imune ao qualquer cobiça 
(que é tão comum aos humanos)
Construtor da própria história
Um merecedor da glória
De fazer sessenta anos.

Da Paraíba ele traz,
O choro ainda da infância 
No Pajeú sente a paz
Que vence toda distância.
Conquistou tantos amigos 
Passou construindo abrigos,
Sem gestos vis, medianos...
Venceu sozinho mil guerras
Andou por diversas terrar
Com mais de sessenta anos. 

Nem ele conta as medalhas
Das glórias dos seus troféus 
A bondade esconde as falhas
Por baixo dos seus chapéus.
Foi de um - ao outro extremo -
Na luz do poder supremo
Chegou ao pódio dos planos.
Venceu mais do que pensava,
E nem ele acreditava
Passar dos sessenta anos.

Ninguém dizia que as mãos 
Que antes foram da enxada 
Depois de espinhos e nãos 
Teriam glórias na estrada.
O tempo ao passar depressa
Tornou mais uma promessa
Se tornar realidade.
Cresceu além dos enganos
- De um começo improvável,
À um sucesso impagável 
Passou dos sessenta anos.

Meu pai, você é tão eu,
Que eu confundo a nossa calma
Eu acho que Deus nos deu
A cópia da mesma calma.
Você preenche os fracassos
Sem se queixar dos cansaços
Perdoa os meus desenganos,
- A força dos sonhos meus,
Como eu sou grata a Deus
Por comemorar seus anos.

Entre glórias e atropelos
O tempo passou veloz
E o branco dos seus cabelos,
Se alguém tingiu, fomos nós...
E para nos ver nos trilhos
Deu a vida pelos filhos 
Navegou mil oceanos
Hoje são realizados,
São sonhos concretizados
Dos seus sessenta e dois anos.


Mariana Teles 

Fonte: Facebook de Mariana Teles

Poesia: A poesia de Sales Rocha

Foto de Daniele Matos de Moura.
Foto: Daniele Matos de Moura

A dor que estou sentindo
Diferente das demais
É dor na alma, sem cura
Dessas que não passam mais
Quando a gente olha pra trás
Vê rasgado o coração 
Em meio a decepção 
Por não ser correspondido
Lamenta o tempo perdido
Sem entender a razão.

Quão bonita nossa história
Pois assim imaginava
O castelo construído
A muito desmoronava
O sonho que eu carregava
Encontrei jogado ao chão
Vi solta a minha mão
Que antes você segurava
E a mão que acariciava
Estava na contra-mão

Quanto tempo assim perdido
Sem sentimento real
Fez-me de tolo iludido
Agiu de forma ilegal
Um sentimento banal
Era o que tinhas por mim
Nossa história chega ao fim
De forma que eu nunca quis
Estou certo do que fiz
Do que eu queria pra mim.

Sejas feliz, Deus te guie
E que nessa longa estrada
Aprenda com os seus erros
E ao longo da caminhada
Por quem tu fores amada
Tenhas zelo e mais respeito
Conduza o amor no peito
Escoltado com a verdade
Ajas com mais hombridade
Faça uso do direito.

"Se conselho fosse bom,
Gente não dava, vendia"
É um ditado popular
Dessa nossa freguesia
Que em meio a poesia
Do que ele representa
Direcionar, ele tenta
Sempre chamando atenção 
Dando na orelha um puxão
Que quem tem culpa se senta.

Nietzsche, diz em sua obra
De forma muito sutil
Que o homem é um ser vil
E que age feito cobra
Animal ruim de manobra
Pronto pra fazer ruindade
É a sua especialidade
Mas, vive se policiando
Só assim vai controlando
Sua índole e maldade.

F. Sales Rocha. 18/07/2017. 

Fonte: Facebook do Autor/poeta

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Memórias:"Festa Universitária", um texto de Arlindo Lopes



Atenção São José do Egito. Silêncio. Escutem...
Estão ouvindo lá do lado da ponte? É o eterno hino do poeta Paulo Cardoso: “São José do Egito, sóis promessa dos céus e viveis protegida sob as bênçãos de Deus...” é o Carro da Pitú se aproximando para animar o povão na Festa Universitária.
-Abram a roda para com “Lia na Ciranda dançar”.
-Acorda Cavalo Brabo, Ancureta, João Guará, Biu Sanharó, Nêgo Toninhos, Titela, Teófo, Chico de Telvina, Dito de Anselmo, Jurandir Bocão...
- “A cacimba vai abrir!”, dizia Otoni Rodrigues com sua gravíssima e bela voz.
Prepare o seu coração... vai começar o bombardeio.
- Veja, lá na rua de cima: É Zé Augusto, Antônio José de Lima e Jureca, no meio dos atiradores de Bacamartes.
- E agora? Corre menino que o “Boi de Severo” vai pegar.
- Chama Pio ou Zé Boião para domar e matar o Boi
- E quem é esse tão poupeiro?
- É “Rubens da Burrinha”, com o seu “zoológico”, dando show e botando as crianças pra correr.
-Vejam o diretor Cultural Luizinho Gomes conduzindo a Banda  de Pífanos de Riacho do Meio. Cabras dos bicos afinados. E a plateia calorosa aplaude.
- Calma aí, não chore meu amigo “Beto de Pajé”... é o poeta Cancão declamando o poema “Meu Lugarejo”, e, estão com ele no palanque os poetas: Zé Catota, Lourival Batista, Job Patriota, João Campos, Zezé Lulu, Ismael Pereira... e o poeta Sebastião Siqueira “O Beijo” da poesia diz no microfone: “Ainda estão chegando Zé Rabelo, Manoel Filó, Professor Zé Silva e outros mais...
- E mais tarde no “Barracão Universitário”, teremos a cantoria com os repentistas:  Ivanildo Vila e Geraldo Amâncio. A emoção toma conta da “Rua da Baixa”.
- Nisso, João Bem-te-vi convida Bosco de Nêga e Lostiba para ouvirem o seresteiro João Pequeno soltar sua romântica voz.
- Vamos todos ao cinema de Chico Silva para ver o destemido Edinaldo Leite, saindo do “Subterrâneo Teatral” para denunciar as injustiças da ditadura.
- Cuidado, amigo a polícia quer te pegar! Não sente medo porque está na companhia de Giba Mansinho, Flávio Lira, Socorro Brito, Pirraia, Lostiba, Geomar, Tremendão, Isa Gomes, Gorete Veras...
- “Cabras da peste”. E este som desconhecido vindo da “Boate Universitária?”
- É o nosso “ Jimi Hendrix”, Haroldo Santos tirando um solo da guitarra de “Casa das Máquinas”...
- Caramba! Poxa! “Olha lá, no canto da parede, Zezé Baterista, o “Rato”, em pleno Sertão do Pajeú, nos anos 70 tocando a música “ Time” de Pink Floyd ... Incrível! E está acompanhando Carlinhos de Bernardo, Betinho de Vigário, , Cláudio Neguinho, Joacil Menezes, Inaldo Sampaio, Ivanildo Gomes, Raulino, Luiz Teixeira, Cícero Teixeira, David de João de Deus, Sales Rocha, Roberval Veras, Wilson Neguinho, Jorge Ressaca, Aluísio Lopes, Churrasco... é show!
Atenção Ronaldo Tiago “Pecos”, Tarcizio Leite, Marcos Brito, Guimarães, Olga Brandão, Rona Leite, Gilberto de Messias, Gerinha, Gilmar Leite, Cláudio Viana, Pedro Lira, Nenén de Zé Dudú, Cida de Jovino Clementino, Cal Siqueira, Mocinha de Zé Leão, Mauricinha, Pessoa,  Mirian Correia, Paulo Passos, Marcos Passos, Lamartine Passos, Arimateia, Gorete Moura, Gracinha Ferreira,  Carmita Viana, Gilberto Rodrigues, Rona de Marote, Jorge Veras, Jorge de Manu...